No coração do Centro Histórico de Salvador, onde cada pedra guarda memória e cada esquina pulsa resistência, o grupo ATABASABAR reafirma sua trajetória de 18 anos como um dos mais potentes coletivos percussivos da cena afro-baiana contemporânea.
Fundado em 2007 pelo percussionista Marcus Musk, o ATABASABAR nasce do encontro simbólico entre dois tambores ancestrais: o Atabaque, sagrado nos terreiros e na religiosidade das matrizes africanas no Brasil, e o Sabar, tambor tradicional do Senegal, eternizado pelo griô Doudou Thioune Rose. Essa fusão não é apenas estética — é política, histórica e espiritual. É Atlântico Negro em estado vibrante.
No Carnaval do Pelourinho, território emblemático da cultura afro-baiana, o grupo apresenta o espetáculo “ALMA BATUQUE – Percussão e Ancestralidade no Pelô”, um show de 90 minutos concebido como uma grande celebração dos mestres da percussão que moldaram o som da Bahia. Dividido em atos que percorrem a potência do tambor, a sinfonia dos blocos afro e a força do repertório carnavalesco, o espetáculo transforma o palco em um rito coletivo de memória e exaltação.


Mais do que uma apresentação musical, ALMA BATUQUE é um manifesto sonoro. O tambor assume o protagonismo, reverenciando nomes fundamentais como Neguinho do Samba, Mestre Memeu, Mário Pan e Carlinhos Brown, reconhecendo a herança dos blocos afro e dos afoxés como pilares estruturantes do Carnaval da Bahia.
A experiência no Carnaval do Pelô reafirma o papel do ATABASABAR como guardião e renovador de tradições. Em um cenário onde o tambor já foi marginalizado e estigmatizado, o grupo reposiciona esse instrumento como símbolo de liberdade, tecnologia ancestral e sofisticação rítmica. Com instrumentos artesanais próprios — como o Atabasabar e o Sabarum — e uma estética cênica que valoriza a identidade afro-baiana, a banda entrega ao público não apenas música, mas pertencimento.
O valor cultural do ATABASABAR reside justamente nessa capacidade de unir memória e contemporaneidade. Ao conectar Salvador a Dakar, o Pelourinho ao continente africano, o grupo reafirma que o som da Bahia é, antes de tudo, um som diaspórico — vivo, pulsante e em constante reinvenção.
No Pelô, onde o passado conversa com o presente, ALMA BATUQUE ecoa como futuro.
Serviço
ATABASABAR – Show ALMA BATUQUE
Data: 13 de fevereiro
Horário: 19h
Local: Praça Pedro Archanjo – Pelourinho, Salvador












