Reggae O Bloco chega aos 21 anos reafirmando a memória africana no Carnaval de Salvador

Há mais de duas décadas, o Reggae O Bloco ocupa as ruas do Carnaval de Salvador como espaço de afirmação cultural, memória negra e pertencimento. Criado em 2004, no Pelourinho, o bloco completa 21 anos de trajetória em 2026 consolidando o reggae como uma linguagem política, espiritual e ancestral dentro da maior festa popular do país.

Mais do que uma agremiação carnavalesca, o Reggae O Bloco se firmou como um projeto cultural contínuo, conectado às vivências da população negra baiana e à história da diáspora africana. Ao longo de sua trajetória, o bloco construiu um percurso que ultrapassa o período do Carnaval, desenvolvendo ações de inclusão e diversidade, como a ala de cadeirantes, o acolhimento à população LGBTQIA+, iniciativas de reciclagem de abadás e o fortalecimento do protagonismo feminino.

Para o Carnaval de 2026, o bloco apresenta o tema “Angola Vive em Nós – 50 Anos de Liberdade e Revolução”, em referência aos cinquenta anos da independência de Angola. A proposta estabelece um diálogo direto entre Angola e Bahia, reconhecendo a presença bantu na formação cultural baiana e reafirmando a África como parte viva da identidade de Salvador. Ao evocar Angola, o tema também reverencia o legado de Agostinho Neto, poeta e primeiro presidente do país, cuja obra articula cultura, política e luta anticolonial.

A origem do Reggae O Bloco está ligada à trajetória de Alzira do Conforto, mulher negra e pioneira na difusão do reggae na Bahia, responsável pela criação do primeiro bar dedicado ao ritmo no estado. Foi a partir desse espaço simbólico que Albino Apolinário, seu neto, fundou o bloco, garantindo ao reggae presença definitiva nos circuitos do Carnaval de Salvador.

No desfile de 2026, essa conexão afro-atlântica se expressa em referências estéticas, sonoras e simbólicas que unem reggae, dub e elementos da musicalidade africana. O Reggae O Bloco desfila na quinta-feira dia 12/2/26 no Circuito Campo Grande, a partir das 21hs.

Entre as atrações confirmadas estão Adão Negro, referência do reggae baiano, a Reggae A Banda, além de participações de Ed VoxTulane MasaiPaulinho Ganaê DJ Woston do Reggae. O projeto também inclui o Reggae Erê, bloco infantil que desfila na segunda-feira de Carnaval, às 13h, no Circuito Batatinha, no Pelourinho, fortalecendo o vínculo entre infância, cultura negra e festa.

Em 2026, vestir a fantasia do Reggae O Bloco é mais do que participar de um desfile. É assumir um gesto simbólico de pertencimento, memória e continuidade. As camisas oficiais já estão à venda, e a participação no bloco contribui diretamente para a manutenção de um projeto cultural que há mais de duas décadas ocupa o Carnaval como território de resistência, celebração e identidade.

As camisas podem ser adquiridas pelo link oficial:
https://beta.meubilhete.com.br/reggae-o-bloco-carnaval-2026

Porque Angola vive em nós. E o reggae segue fazendo da rua um território de memória.

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